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image_previewO que me parecia ser a fotografia de uma consagração da classe médica, dado os detalhes verdes das becas que eram usadas, na verdade, era a cerimônia de posse dos novos Defensores Públicos do Estado. Alguns dias antes havia me deparado com um desses anúncios de formatura estampado em O LIBERAL, que despertou minha curiosidade. Eram jovens sorridentes trajando “manga de camisa” como se estivessem participando de uma quermesse. Nenhum deles envergava os trajes solenes, próprios da cerimônia de colação de grau. Lembrei da década de 70, no século passado, quando o Prof. Hamilton Ferreira de Souza, diretor da Faculdade de Direito (ainda se chamava assim) aflito, pediu-me para ir tentar controlar uma reunião de formandos, para a escolha dos nomes do patrono e do paraninfo da turma. Corria a notícia que o patrono escolhido seria um conhecido campeão de fantasias carnavalescas do Rio de Janeiro. Foi uma luta convencer os alunos de que seria academicamente deplorável denominar uma classe de bacharéis em direito de “Turma Clóvis Bornay” em vez de, por exemplo, “Turma Clóvis Benvilaqua”. Expliquei-lhes que o patrono de uma classe universitária é escolhido por seu prestígio intelectual e por sua produção científica, vinculados ao ramo de conhecimento dos formandos, posto que ele será ele tomado como exemplo de vida e ideal profissional a ser seguido pelos integrantes da turma patronada.

Enfim, que o curso universitário que logo mais se encerraria, não podia ser tomado como se fosse um convescote banal, mas sim, uma etapa de árduos estudos para abrir as portas do futuro de cada qual, de suas famílias e de toda a Nação, que tanto investiram na formação cultural deles. Voltando à foto, pensei: esses jovens talvez não saibam as razões pelas os universitários usam aquela roupa preta e longa, chamada de beca, em ocasiões solenes como a formatura. Talvez nunca tenham ouvido falar em vestes talares. Provavelmente não leram sobre as tradições, rituais e pompas acadêmicas. Vestes talares são roupas próprias para serem usadas em ocasiões de grande respeito. Assim se chamam porque vão até aos tales, aos calcanhares ou tornozelos. Essa denominação se inspirou em Dionísio, divindade da mitologia grega conhecida em Roma como Baco, que possuía asas nos calcanhares, nos talus.  Seu uso remonta aos sacerdotes da Roma antiga. Nas universidades, as vestes talares talares passaram a ser usadas a partir do  século XIII, como forma de igualar a aparência entre os estudantes, fossem pobres ou fossem ricos. Só o brilhantismo intelectual poderia por em destacar algum acadêmico, como assim se chamavam os estudantes universitários na época. A cor preta (ausência de cor) simbolizava a humildade que o estudante deve ter diante da grandeza da ciência (branco = a soma de todas as cores).

Várias são as denominações das vestes talares: beca (de baccalaris, bacharel), usadas pelos advogados e membros do Ministério Público; toga, dos juizes; batina dos clérigos; capa, dos serventuários, etc. Mas a cor preta é ivariavelmente a mesma. O que distingue a área de conhecimento de origem do usuário é a cor dos detalhes. A cor vermelha identifica os profissionais oriundos das Ciências Jurídicas e Econômicas; a verde, os das Ciências da Saúde; a roxa, os das Letras e Artes; a azul, os da Tecnologia; a amarela, os das Ciências Matemáticas e da Natureza; a laranja, os da Filosofia e das Ciências Humanas, etc. Cada profissão tem sua cor e seus símbolos. Os advogados devem usar a cor vermelha nos detalhes de suas vestes talares. A mesma cor do rubi de seus anéis. Verde é cor da área de saúde, usada pelos médicos. A mesma da esmeralda de seus anéis. Em ocasiões de magnificência, como nas colações de grau ou em posses solenes, e em lugares de cerimônia, como nos tribunais, o uso das vestes talares é obrigatório.

Facultativamente se as usam em eventos menos pomposos. Mas, se o profissional optar por usá-las, há de fazê-lo com estrito respeito às tradições milenares, para que não se avilte a majestade do traje cerimonioso. O Provimento nº 08/64, do CFOAB, inspirado no Decreto Federal nº 393, de 1844, regulamentou o uso das vestes talares pelos advogados, estabelecendo modelos dos quais eles não podem se afastar. Tradição é coisa séria. Não se improvisa!

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Sérgio Couto - Advogado, ex-Presidente da OAB-Pará.
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